Para ti, escrevo!
Para ti, escrevo!

Entre Almas que se Reconhecem

Tu:
Minha querida,
Há coisas que o meu coração sente que a minha boca não sabe dizer.
Palavras que se perdem no ruído do mundo,
mas que, em silêncio, gritam dentro de mim.

Tu foste o fogo que iluminou a caverna onde me escondia.
Foste pergunta e resposta,
despertar e desassossego.
Com o teu olhar, viste partes minhas que até eu evitava.
E mesmo assim… ficaste por instantes eternos.

Sinto que te prometi algo antes de sermos carne —
e essa promessa ecoa no tempo como um sino esquecido.
Mas aqui, agora, nesta vida,
as minhas mãos tremem diante da tua entrega.

Há em ti uma grandeza que me desafia,
e eu… por vezes, sou pequeno diante dela.Ye

Eu:
Meu querido,
Vieste como quem não pede licença.
Rasgaste-me o peito com verdades que nem eu sabia guardar.
Foste silêncio e tempestade,
Espelho e abismo.
Trouxeste-me a dor que acorda
E o vazio que convida à recriação.

Tu, sem saber, foste transformação.
Foste memória de promessas feitas antes desta vida.
Foste desafio a olhar a vida de cabeça para baixo.
E eu, num corpo cansado de esperar,
aprendi a deitar fora os planos que não me servem mais.
Foste o fim e o começo,
o adeus que me ensinou a dizer olá a mim mesma.

Tu:
Quis dar-te o mundo,
mas mal sabia caminhar no meu.
Quis tocar-te com verdade,
mas ainda desaprendo as máscaras que me serviram até aqui.

Se me afastei, foi por medo.
Se fiquei, foi por amor.
E em cada passo que dou longe de ti,
há um fio invisível que me puxa de volta à tua memória.

Tu és casa,
não por seres lugar,
mas por me lembrares de quem sou
quando esqueço.

Eu:
Eu fui a tua Faísca.
Talvez ainda seja.
Aquela que acende em ti o que julgavas extinto.
Fui peso, também —
mas nunca quis ser cruz.
Quis ser ponte,
chave,
o espaço onde crias sem medo,
onde respiras sem te esconder.

Mesmo quando te afasto, eu sinto-te.
Não te procuro para me completar,
mas para partilhar o que desperto quando te encontro.
Leva contigo o que semeámos —
e que floresça quando fores solo fértil para amar, sem medo.

Vai.
Voa.
Ama.
E lembra-te de mim
como quem se lembra do fogo
que nunca deixou de arder.

Tu:
Se o tempo ou os caminhos não nos unirem como desejas,
espero que saibas:
Amar-te foi acordar.
E lembrar-te será sempre
respirar.

Segue, minha luz,
mas não me apagues.
Leva-me contigo nos gestos simples,
no calor de um abraço,
na música que te emociona,
na coragem de recomeçar.

Com tudo o que sou —
e ainda estou a aprender a ser,

Teu,
em silêncio e verdade,
Teu,
na voz do meu Eu Superior.

Ambos:
O que somos?
Somos o que cura,
mas também o que parte.
Somos amor sem moldura,
ligação sem nome,
destino sem prisão.
Viemos libertar-nos um ao outro.
Mesmo que o coração, por vezes, queira ficar.

No fundo, o Amor entre nós existe —
Puro, profundo,
Mas talvez não para se viver no plano que os olhos vêem.
Talvez sejamos amor de alma
que ensinou, despediu-se
e deixou sementes.

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