Acolhida no Silêncio
As minhas palavras trazem pedaços de mim.
E eu flutuei numa curiosidade silenciosa, a perguntar-me se alguma vez me tinhas visto nelas.
Esperei — sem impaciência…
Com suavidade, e guardando espaço no meu coração,
de pé à beira do que está por vir.
Sem expectativas, estendi-me com cuidado
Não porque precisasse de elogios ou aprovação…
Não era um pedido. Nem sequer uma pergunta.
Era um convite silencioso, repousando logo além do teu olhar.
Uma semente de presença, deixada onde a tua quietude a pudesse encontrar.
A tua resposta chegou — gentil, distante,
embrulhada na linguagem cautelosa do adiamento.
Não foi uma rejeição, nem indiferença,
apenas uma porta deixada em silêncio, intacta.
E eu senti-a.
A leve dor de não ser vista.
A dor suave de querer mais do que o silêncio podia carregar.
Ainda assim — sou grata.
Grata por me ter estendido.
Grata por me importar o suficiente para perguntar.
Grata pela honestidade desse silêncio.
O silêncio que guarda a porta para conexões profundas.
Afinal, nem toda semente está destinada a florescer.
Algumas estão simplesmente ali para nos mostrar o solo em que estamos
e quão dispostos estamos a amar, mesmo quando a resposta é silêncio.


